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Apesar de preços em queda, safra deverá crescer

Publicada em: 23/07/2014
Mesmo com a forte retração dos preços de soja, milho e algodão registrada nas últimas semanas, a próxima safra brasileira de grãos, que será plantada em setembro e colhida em março do ano que vem, deve crescer e atingir 198,5 milhões de toneladas, segundo projeções da consultoria GO Associados. Esse maior volume de produção pode segurar a inflação de alimentos e garantir rentabilidade ao agricultor, apesar do cenário adverso neste momento, prevê o diretor de pesquisa da consultoria, Fabio Silveira.

Com semente, fertilizante e defensivos em casa, comprados quando os preços das commodities estavam em alta e mais favoráveis ao bolso do produtor, a expectativa é que a área plantada de soja cresça cerca de 3%, atingindo 31 milhões de hectares na safra 2014/2015, de acordo com a previsão da consultoria Informa Economics FNP. No caso do algodão, a expectativa é de avanço de 11,6%, para 1,250 milhão de hectares. Para o milho e feijão, porém, o cenário é de retração e, para o arroz, de manutenção da área, segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas.

Em meados deste mês, o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sinalizou uma safra americana recorde de soja, de 103 milhões de toneladas, e um maior volume de estoques mundiais de grãos. Isso foi uma ducha de água fria nos preços das commodities, que já vinham com tendência de baixa por causa do corte de estímulos monetários feito pelo BC americano. Nos últimos 30 dias, a cotação da soja caiu 7,45%; do milho, 6,88%; e do algodão, 4,94%, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.

"Os produtores estão apreensivos, mas não vão reduzir a área com soja", diz Antonio Chavaglia, presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano, que reúne 6,2 mil agricultores. Ele acredita que o que pode ocorrer em resposta ao preço baixo é a não abertura de novas áreas para a produção do grão.

Essa também é a avaliação de Ricardo Tomczyk, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso, o principal Estado produtor do grão no País. "Deve diminuir a abertura de novas áreas.". Em Mato Grosso, por exemplo, é esperada expansão de 5% da área plantada, mesmo com o preço mais baixo.

Em Maringá, noroeste do Paraná, outra importante região produtora, a expectativa é de manutenção da área de 650 mil hectares com soja, segundo o vice-presidente da Cocamar, José Cícero Aderaldo. Ele diz que os insumos foram comprados em junho, quando a relação de troca era mais favorável.

Essa antecipação de compra aparece na entrega de fertilizante, que cresceu 6,9% no primeiro semestre ante igual período de 2013, segundo David Roquetti, presidente da Associação Nacional para Difusão de Adubos.

Bombril - Silveira, da GO Associados, compara a agricultura ao Bombril, marca de palha de aço com "mil e uma utilidades", numa referência aos impactos positivos da safra. "A produção agrícola da safra 2014/2015 deve segurar a inflação e também ampliar a renda do produtor." O economista argumenta que se trata de contribuição "rara", porque normalmente quando o preço cai, a produção é afetada. Mas, nesse caso, como os agricultores já tinham comprado os insumos com uma relação de troca favorável, a tendência é de manutenção ou acréscimo de área e o aumento de volume deve compensar a queda no preço.

Outro fator que pode jogar a favor dos produtores é o câmbio. Silveira lembra que na época da venda da safra, em março de 2015, a expectativa é de uma taxa de câmbio mais alta, com dólar a R$ 2,40. Isso significa que o produtor pode obter mais reais pela soja, cotada em dólar no mercado internacional.

Fonte: O Estado de S.Paulo